RESUMO: A infância ocupa, em relação a outras categorias sociais, uma posição estrutural de iniquidade cujas injustiças tendem a se agravar nos processos de reprodução social do capitalismo global, tornando-se mais veladas e sutis. Analisa-se como a infância e as crianças participam - constituem e são constituídas - na dinâmica da economia política global a partir de sua posição interseccionada por classe, raça e localidade. Para exemplificar a argumentação, discute-se como a redução e/ou a falta do recreio escolar em muitas escolas públicas do Rio de Janeiro acontece como mais um elemento de precarização da escola pública ofertada às crianças das classes trabalhadoras efetivando a colonização extensiva promovida pelo capital dos processos de regeneração das subjetividades, dos valores e da vida. Neste sentido, é em relação às crianças dos países periféricos do capitalismo global, as pobres, pretas e pardas, que se produz, de forma velada, uma despolitização das suas condições de subjetivação em que se faz desaparecer a aposta na construção de alternativas ao presente.
LUCIA RABELLO DE CASTRO (Thu,) studied this question.