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OBJETIVO: A inflamação perinatal é um importante fator de risco para déficits neurológicos em recém-nascidos pré-termo. Vários estudos experimentais mostraram que a inflamação sistêmica pode alterar a programação do cérebro em desenvolvimento. No entanto, esses estudos não oferecem mecanismos fisiopatológicos detalhados e dependem de estímulos infecciosos ou inflamatórios relativamente severos que provavelmente não refletem os níveis de inflamação sistêmica observados em muitos recém-nascidos pré-termo humanos. O objetivo do presente estudo foi testar a hipótese de que a inflamação sistêmica moderada é suficiente para alterar o desenvolvimento da substância branca. MÉTODOS: Camundongos recém-nascidos receberam injeções intraperitoneais de interleucina-1β (IL-1β) duas vezes ao dia durante 5 dias e foram estudados quanto à mielinização, oligodendrogênese e comportamento, além de serem submetidos a ressonância magnética (RM). RESULTADOS: Camundongos expostos a IL-1β apresentaram um defeito de mielinização duradouro, caracterizado por um aumento no número de axôns não mielinizados. Eles também apresentaram uma redução no diâmetro dos axôns mielinizados. Além disso, a IL-1β induziu uma redução significativa na densidade de oligodendrócitos mielinizadores, acompanhada por um aumento na densidade de progenitores de oligodendrócitos, sugerindo um bloqueio parcial no processo de maturação de oligodendrócitos. Consequentemente, a IL-1β interrompeu a expressão coordenada de vários fatores de transcrição conhecidos por controlar a maturação de oligodendrócitos. Essas anomalias celulares e moleculares foram correlacionadas com uma redução na anisotropia fracional da substância branca na imagem de tensor de difusão e com déficits de memória. INTERPRETAÇÃO: A inflamação sistêmica perinatal moderada altera o programa de desenvolvimento da substância branca. Esse insulto induz um déficit de mielinização duradouro acompanhado por defeitos cognitivos e anomalias na RM, apoiando ainda mais a relevância clínica dos dados apresentados.
Favrais et al. (Fri,) estudaram essa questão.
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