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Enquanto a teoria da globalização era predominantemente silente sobre o papel da tradução na viabilização do fluxo de informações em todo o mundo, assumindo comunicabilidade instantânea e transparência, a tradução ganhou importância central em relatos recentes de cosmopolitismo que enfatizam a interdependência global e a negociação da diferença. Nesse contexto, uma especificação dos processos de tradução fornece uma forma de analisar a maneira como as interações entre diferentes modernidades ocorrem e de especificar uma noção de cosmopolitismo como internalização do outro. Este artigo aborda a tradução como muito mais do que a transferência linguística de informações de uma língua para outra. Ampliamente definida como a experiência ou o teste do estrangeiro, um processo que mobiliza toda a nossa relação com o outro, a tradução aparece como uma prática material e concreta através da qual o cosmopolitismo, concebido como abertura ao mundo e aos outros, pode ser empiricamente examinado. Após ter identificado assim o papel central da tradução em um contexto cosmopolita, o artigo examina como ela pode ser utilizada para abordar noções atuais de cosmopolitismo estético ou artístico com referência à noção chave de literatura mundial. Finalmente, delineia as implicações mais importantes que uma concepção de cosmopolitismo como tradução tem para a teoria social cosmopolita.
Esperança Bielsa (Terç,) estudou essa questão.