Este estudo examina como a Flandres constrói e projeta uma identidade regional distinta por meio de suas relações paradiplomáticas. Para explorar esse fenômeno, o artigo adota uma análise do discurso pós-estruturalista, permitindo um exame aprofundado de como a identidade flamenga é articulada por meio da linguagem e mobilizada estrategicamente nas interações diplomáticas. O estudo foca nos discursos dos diplomatas flamengos durante visitas oficiais no exterior, analisando tanto seus aspectos lexicométricos quanto seu conteúdo. Através dessa análise, a pesquisa identifica temas recorrentes e estratégias retóricas que moldam a projeção externa da identidade flamenga e influenciam o posicionamento da região nas relações internacionais. Embora a paradiplomacia flamenga tenha sido amplamente estudada, pouca atenção foi dada às características específicas da identidade flamenga conforme são transmitidas nas narrativas diplomáticas. Nesse contexto, esta pesquisa proporciona novas percepções sobre como os diplomatas flamengos mobilizam referências históricas, linguísticas e culturais para se afirmar como atores independentes no cenário internacional, reforçando assim a legitimidade da Flandres como um ator global. A análise revela que os discursos diplomáticos flamengos priorizam diferentes aspectos da identidade dependendo do contexto geopolítico, com delegações europeias focando em cooperação econômica e política, enquanto aquelas fora da Europa destacam o patrimônio cultural e os laços históricos. Ao situar o caso da Flandres dentro de discussões mais amplas sobre regionalismo, política de identidade e o papel em evolução dos atores subestatais na diplomacia, este estudo contribui para a compreensão de como a paradiplomacia funciona não apenas como uma ferramenta política, mas também como um meio de construção de identidade em um mundo onde as estruturas tradicionais do estado são cada vez mais contestadas.
Solenn Houard (Quarta) estudou esta questão.