Desde a convicção de Galileu de que o Universo é escrito na linguagem da matemática até as revoluções genômica e computacional do século XX, a ciência há muito busca descrever a natureza por meio de sistemas simbólicos externos. No entanto, evidências crescentes na biologia, física e ciência cognitiva sugerem que esta redução da semântica à sintaxe é insuficiente. A vida não pode ser lida deterministicamente apenas a partir de sequências de DNA, a cognição não pode ser reduzida apenas a lógica baseada em regras, e sistemas complexos exibem comportamentos emergentes que transcendem a descrição simbólica. Argumentamos que esses fenômenos apontam para um princípio pouco apreciado, “a inteligência da matéria”, pelo qual sistemas materiais organizados processam informação de maneira inerente, se adaptam e lembram. Exemplos vão desde alosteria proteica e memória epigenética até regulação epitranscriptômica, matéria suave inteligente e computação ecológica de reservatórios. Nesses casos, a computação emerge não de códigos impostos, mas das dinâmicas intrínsecas da matéria que está longe do equilíbrio. Reconhecer a inteligência como uma propriedade geral da matéria organizada pode inaugurar um novo estilo científico: aquele que decifra a semântica da natureza em vez de sobrepor a nossa, remodelando assim a epistemologia da ciência moderna.
Tripathi et al. (Mon,) estudaram essa questão.