Resumo O Rio de Janeiro tornou-se um paradigma para a Atenção Primária à Saúde (APS) no Brasil. Como a cidade, que até 2008 era a capital do país com a menor cobertura de equipes do Programa de Saúde da Família (PSF), com 3,5% de sua população, conseguiu proporcionar acesso a mais de 70% dos cariocas até 2024? O presente estudo analisa os principais eixos e resultados da Reforma dos Cuidados em Atenção Primária à Saúde (RCAPS) ao longo de um período de 15 anos, inspirado pela APS em Lisboa, Portugal. Limites, desafios e avanços são discutidos. Nosso estudo destaca mudanças no organograma, no modelo de gestão, nos cuidados em saúde por resultados e no fortalecimento da APS como organizadora de redes e coordenadora de cuidados. A viabilidade da RCAPS para uma grande cidade é demonstrada, com as seguintes limitações: (i) a necessidade de reorganizar os processos de educação continuada, (ii) melhorar a comunicação com a população usuária do SUS e (iii) financiamento tripartite insuficiente, especialmente por parte do governo estadual. A Saúde Digital como um eixo para melhorar a comunicação, expandir o acesso e uma maior resolutividade está consolidada hoje como o maior desafio da gestão.
Pinto et al. (Quarta-feira,) estudaram esta questão.