Os debates sobre o uso e a regulamentação da inteligência artificial tendem a destacar a ambiguidade de seu impacto no processo político democrático em termos de riscos e oportunidades. A disseminação das tecnologias de inteligência artificial pode afetar a autonomia individual e coletiva, seja mudando as práticas sociais e políticas que moldam as escolhas individuais de diferentes maneiras, seja afetando diretamente os direitos fundamentais. O perigo não está nas manipulações de curto prazo, mas na erosão a longo prazo das condições estruturais da esfera pública. Um estudo detalhado da inter-relação das tecnologias de inteligência artificial e do desenvolvimento democrático, levando em conta aspectos específicos da vida política da sociedade, é necessário para entender melhor a reconfiguração das opções em mudança para indivíduos, corporações e Estados. Este artigo analisa a ambiguidade terminológica do conceito de inteligência artificial no contexto de seu impacto na política e no processo democrático e observa que a pesquisa sobre inteligência artificial aborda essa questão através de várias formas de crítica discursiva, onde a atenção se concentra não em definições, mas em modos de interpretação e suas consequências. Ao analisar a relação entre inteligência artificial, política e democracia, o artigo presta especial atenção a aspectos como autodeterminação política, participação política e governança democrática. Ele enfatiza a importância de uma supervisão efetiva por parte do governo e da sociedade civil sobre as empresas que desenvolvem e usam tecnologias de inteligência artificial, o que implica, em particular, na criação de instituições eficazes capazes de defender os interesses públicos e os direitos civis e democráticos, incluindo apesar das capacidades técnicas e dos incentivos econômicos. Conclui-se que a influência da inteligência artificial sobre o processo político e a democracia aumentará, o que leva à necessidade de profissionalizar e desenvolver sua pesquisa interdisciplinar sistemática.
Viktor Shlyapnikov (Qui,) estudou essa questão.