Este artigo apresenta uma reflexão psicanalítica sobre a identidade (ser) com base no caso de uma jovem em situação de vulnerabilidade social. Nosso objetivo é destacar a relevância das teorias de Freud e Ferenczi na compreensão da dinâmica do narcisismo e das relações de objeto na psicanálise clínica, oferecendo uma base sólida para investigar o ser. A análise do caso clínico levantou questões fundamentais sobre o desenvolvimento psíquico e a importância das relações de objeto precoces. Primeiro, exploramos o conceito de narcisismo e o papel das figuras parentais na constituição da psique infantil. Reiteramos que problemas narcisistas surgem quando o investimento libidinal parental não é suficiente, afetando a capacidade do sujeito de diferenciar entre o eu e o outro. Nossa reflexão sobre o ser, extraída da vinheta clínica, foi baseada principalmente em textos de Freud e Ferenczi para mostrar como a falta de afeto e cuidado dos pais pode causar disfunções duradouras no funcionamento subjetivo. Uma "criança indesejada" pode internalizar sentimentos de indesejabilidade e inadequação, resultando em baixa autoestima e autocriticismo exacerbado ao longo da vida. Esses fatores impactam profundamente a construção da subjetividade e têm repercussões nas relações ao longo da vida, incluindo a relação analítica. Reconhecemos a importância da validação externa na construção do eu e o papel indispensável de uma abordagem compassiva e autêntica ao se engajar com o paciente. Isso promove o fortalecimento do vínculo e o desenvolvimento da confiança em si mesmo e no processo terapêutico, ao reconhecer a validade das emoções e percepções do paciente.
Azevedo et al. (Fri,) estudaram esta questão.
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