Crime e Castigo de Fiódor Dostoiévski se destaca como uma das explorações mais profundas da psique humana na literatura mundial, abordando os temas entrelaçados da culpa, conflito moral, sofrimento e a possibilidade de redenção. Este artigo oferece uma releitura do romance através da lente da psicologia analítica de Carl Gustav Jung, com ênfase particular nas noções de inconsciente coletivo, padrões arquetípicos e imagens simbólicas. Ao envolver-se com os arquétipos de Jung—como a Sombra, a Anima, o Velho Sábio e o Eu—este estudo examina como os personagens de Dostoiévski, especialmente Raskolnikov, incorporam estruturas psicológicas universais que se estendem além da patologia individual para iluminar as lutas humanas coletivas. A análise demonstra que a narrativa funciona como uma dramatização do conflito arquetípico, onde a culpa se torna tanto uma força destrutiva quanto um catalisador para a transformação. Através de um estudo textual minucioso, o artigo revela como símbolos, sonhos e motivos recorrentes no romance refletem os processos junguianos de individuação e integração psíquica. A exploração da jornada interna de Sonia, Porfiry e Raskolnikov destaca a tensão entre fragmentação e totalidade, caos e ordem, pecado e salvação. Além de oferecer uma nova interpretação junguiana da obra-prima de Dostoiévski, o artigo também situa suas descobertas dentro do campo mais amplo da crítica literária psicológica, notando intersecções com teologia, filosofia e estudos culturais. Conclui sugerindo caminhos para futuras pesquisas interdisciplinares, especialmente estudos comparativos entre as obras de Dostoiévski e outras narrativas arquetípicas de culpa e redenção nas tradições ocidentais e não ocidentais.
Viraj Desai (Sun,) estudou esta questão.