A pandemia de COVID-19 não apenas causou uma emergência de saúde global, mas também gerou desafios psicológicos profundos, particularmente na forma de medo, ansiedade e incerteza sobre mortalidade. Na Indonésia, onde tradições religiosas e espirituais desempenham um papel central na vida cotidiana, as ordens sufis (ṭarīqa) forneceram mecanismos de enfrentamento únicos que integram disciplina espiritual com resiliência coletiva. Este estudo investiga especificamente como membros da ordem Qadiriyya-Naqshbandiyya (TQN) na Indonésia se envolveram em práticas rituais sufis para preservar o bem-estar mental durante a pandemia. Usando um desenho qualitativo, os dados foram coletados através de entrevistas aprofundadas, observação participante e análise textual de Maklumat (diretivas) emitidas pelo líder espiritual Abah Aos. A análise temática revelou três dimensões principais de enfrentamento: regulação intrapessoal através de dhikr e práticas contemplativas; reforço comunitário através de encontros de manāqib, rituais sincronizados e atos de caridade; e reestruturação existencial da mortalidade dentro de uma visão de mundo teológica sufi. Os resultados indicam que essas estratégias baseadas em rituais reduziram com sucesso o estresse e a ansiedade, fortaleceram a resiliência emocional e reforçaram a coesão social durante os bloqueios. Os participantes também relataram benefícios percebidos à saúde física, que podem ser explicados por meio de caminhos de psiconeuroimunologia que vinculam a redução do estresse à resiliência imunológica. Importante, o estudo destaca que o enfrentamento sufi opera não apenas como um recurso psicológico individual, mas também como um sistema de resiliência culturalmente incorporado. As implicações vão além do domínio religioso, oferecendo lições valiosas para a saúde pública ao integrar recursos espirituais e culturais em intervenções em saúde mental. Esta pesquisa contribui para discussões interdisciplinares sobre religião, resiliência e bem-estar, sublinhando a relevância das tradições espirituais indígenas na abordagem de crises globais como a COVID-19.
Hakim et al. (2022) estudaram essa questão.
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