O artigo apresenta a restauração histórica e a musealização da torre do relógio de Monóvar. Esta torre isolada do século XVIII foi inicialmente construída para abrigar o relógio público, marcando um dos primeiros exemplos conhecidos na Comunitat Valenciana de uma estrutura secular de marcação do tempo. Diferente da maioria das torres da época, que faziam parte de edifícios religiosos, este projeto foi impulsionado pelo governo civil local para afirmar o controle municipal sobre a medição do tempo. A torre foi construída utilizando uma mistura de técnicas de alvenaria de pedra, com qualidades de material variadas, incluindo pedra bem cortada, trabalho em pedra irregular e alvenaria de entulho de baixa qualidade. Testes de tensão revelaram valores baixos de resistência à tração, e devido a deficiências na construção, a seção superior desenvolveu uma leve inclinação, que se manteve estável desde sua construção original. Ao longo dos anos, várias intervenções foram realizadas, sendo a intervenção mais intensa entre as décadas de 1960 e 1970, envolvendo o uso disseminado de cimento, modificações nas fachadas e a substituição de materiais originais por elementos pré-fabricados, além de serem adicionados muros de alvenaria para corrigir visualmente a inclinação. Após a demolição recente de um edifício nas proximidades, que levou a um deslizamento de terra, surgiram preocupações sobre a fundação da torre e a estabilidade geral. No entanto, análises confirmaram que a inclinação permaneceu estável desde sua construção. Devido à baixa qualidade da alvenaria, foi necessário um reforço, que foi implementado através de injeções de cal. O deslizamento de terra também expôs um cemitério muçulmano anteriormente não documentado, onde treze sepultamentos foram descobertos e cuidadosamente escavados, acrescentando uma camada importante à narrativa histórica de Monóvar. Este sítio arqueológico foi integrado ao projeto urbano através de uma musealização, que inclui uma nova passarela que circunda a torre, o cemitério e duas plataformas de observação. Essas intervenções aumentam o significado cultural e histórico do local, proporcionando aos visitantes uma compreensão mais profunda do passado de Monóvar, desde seu período islâmico medieval até seus desenvolvimentos cívicos no século XVIII. Este projeto preserva e reinterpretam o patrimônio arquitetônico, promovendo uma conexão mais forte entre o tecido histórico e a paisagem urbana contemporânea.
Mora et al. (Qua,) estudaram esta questão.