Como os cientistas sociais qualitativos devem entender e se envolver com o conceito de vulnerabilidade em suas pesquisas? Os acadêmicos têm abordado amplamente essa questão a partir da perspectiva da ética na prática, explorando indutivamente os desafios do mundo real que surgem ao estudar comunidades marginalizadas e subalternas. Este artigo examina a vulnerabilidade a partir da perspectiva da ética processual – ou das regras e processos formais que orientam a regulamentação da ética em pesquisa – ao analisar o conceito em 44 diretrizes nacionais de ética em pesquisa de todo o mundo. Os resultados mostram que, em contraste com a compreensão relacional, embutida e dinâmica da vulnerabilidade elaborada pelos acadêmicos das ciências sociais qualitativas, os documentos nacionais de ética em pesquisa continuam a ser fortemente dominados por entendimentos de vulnerabilidade oriundos da pesquisa biomédica, tanto em termos de como definem e atuam sobre a vulnerabilidade quanto nas recomendações que propõem para mitigá-la. Para diretrizes que ampliam seu escopo para as ciências sociais, elas incluem cada vez mais ressalvas e nuances que ajudam a abordar as preocupações dos cientistas sociais qualitativos. No entanto, não questionam suposições subjacentes fundamentais que continuam a criar desafios para os pesquisadores das ciências sociais qualitativas, especialmente aqueles que trabalham em uma tradição crítica.
Tapscott et al. (Mon,) estudaram essa questão.