RESUMO A disponibilidade de dados genômicos e genéticos é fundamental para o avanço da pesquisa biogeográfica, particularmente em regiões ricas em biodiversidade, mas com escassez de dados, como o Atlântico Sul. No entanto, apesar do aumento das diretrizes para ciência aberta, os pesquisadores enfrentam barreiras significativas para acessar conjuntos de dados de estudos publicados. Embora alguns autores possam reter dados devido a preocupações legítimas sobre proteção da propriedade intelectual, análises em andamento ou propósitos de conservação, essas situações devem ser claramente justificadas. Caso contrário, a restrição prolongada ou indefinida de dados, manifestando-se como números de acesso ausentes, metadados incompletos, informações de amostras retidas, localização geográfica deficiente ou até mesmo demandas por coautoria como condição para compartilhamento de dados, minam a transparência, reprodutibilidade e o progresso científico. Argumentamos que tais práticas constituem mais do que descuidos técnicos. Elas representam obstáculos estruturais e éticos que comprometem a transparência, reprodutibilidade e o progresso científico. Nesta perspectiva, buscamos sublinhar a relevância dessa discussão no contexto da biogeografia. Para testar hipóteses biogeográficas usando dados publicados, particularmente em análises comparativas, os dados genéticos devem ser devidamente georreferenciados e acompanhados por uma identificação taxonômica precisa. Enfatizamos que solicitar dados não é uma tentativa de apropriar-se ou diminuir o mérito do trabalho original. Pelo contrário, é uma forma de amplificar seu valor por meio de novas análises e da geração de novos insights que permanecem fundamentados em adequada atribuição e colaboração. Fazemos um apelo aos periódicos para fortalecerem as políticas de compartilhamento de dados e garantir a conformidade. Exortamos as instituições a redefinirem os padrões éticos em torno da disponibilidade de dados. Também defendemos que as agências de fomento tratem dados abertos como uma métrica central do impacto da pesquisa. Sem uma mudança coletiva na cultura e responsabilidade, a ciência corre o risco de não atingir seus ideais. Dados não são moeda acadêmica. Eles são a base sobre a qual a ciência deve se sustentar.
Amaral et al. (Sex,) estudaram esta questão.