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O início do Capital de Marx tem referências à Lógica do Ser de Hegel. A partir da mercadoria individual considerada isoladamente, Marx derivate a forma de valor como a célula germinal da sociedade capitalista. A inversão materialista de Marx da dialética hegeliana postula a forma de valor como uma objetividade espectral que constitui a abstração real específica do capitalismo. Sendo a expressão mais abstrata do capital, ela rege inconscientemente a totalidade da prática social como um fetiche absoluto. O valor surge de uma dupla mistificação: a reificação das relações sociais de produção capitalistas em uma forma abstrata objetiva, e sua representação em objetos concretos, como mercadorias e dinheiro em circulação. O valor, como a abstração real das relações sociais de produção capitalistas, é a síntese disjuntiva entre o comando despótico do capital na produção e a reciprocidade da troca na circulação. No capítulo final sobre acumulação primitiva, Marx identifica sua gênese histórica na desapropriação dos bens comuns, que, ao separar as condições subjetivas das condições objetivas de produção, dá origem à relação capital-trabalho assalariado.
Andrea Ricci (Quarta-feira) estudou essa questão.