Key points are not available for this paper at this time.
Contexto Uma proporção significativa de pessoas com esquizofrenia tratada com clozapina desenvolve compulsões de ‘verificação’, um fenômeno ainda a ser compreendido. Objetivos Usar modelos de formação de hábitos desenvolvidos em neurociência cognitiva para investigar a interação dinâmica entre psicose, dose de clozapina e sintomas obsessivo–compulsivos (SOC). Método Utilizando os registros eletrônicos anonimizados de uma coorte de pacientes tratados com clozapina, incluindo avaliações longitudinais de SOC e psicose, realizamos análises de mediação em múltiplos níveis e de moderação em múltiplos níveis para explorar associações da psicose com obsessividade e verificação excessiva. Testes clássicos de correlação bivariada foram utilizados para avaliar a carga de clozapina e as compulsões de verificação. A influência de variantes genéticas específicas foi testada em uma subs amostra. Resultados Um total de 196 indivíduos tratados com clozapina e 459 avaliações presenciais foram incluídos. Encontramos SOC significativos como comuns (37,9%), sendo a verificação o sintoma mais prevalente. Nos modelos de mediação, a gravidade da psicose mediou o comportamento de verificação indiretamente ao induzir obsessões (r = 0,07, IC 95% 0,04–0,09; P < 0,001). Nenhum efeito direto da psicose sobre a verificação foi identificado (r = −0,28, IC 95% −0,09 a 0,03; P = 0,340). Após a remissão da psicose (n = 65), as compulsões de verificação correlacionaram-se tanto com os níveis plasmáticos de clozapina (r = 0,35; P = 0,004) quanto com a dose (r = 0,38; P = 0,002). Nenhuma das variantes genéticas glutamatérgicas e serotoninérgicas foi encontrada moderando o efeito da psicose sobre a obsessão e a compulsão (SLC6A4, SLC1A1 e HTR2C) sobreviveu à correção por múltiplas comparações. Conclusões Esclarecemos diferentes fases da complexa interação entre psicose e compulsões, que podem informar as decisões terapêuticas dos clínicos.
Fernández-Egea et al. (Ter,) estudaram esta questão.