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As rotinas das redações convencionais enfrentaram mudanças significativas nas últimas décadas. Independentemente de sua natureza, essas mudanças podem ser vistas a partir de uma perspectiva de gênero e enquadradas dentro do neoliberalismo, entendido como uma força estrutural que afeta a vida das pessoas e uma ideologia de governança que molda subjetividades. Neste artigo, temos como objetivo discutir como o neoliberalismo influenciou as implicações da pandemia de Covid-19 nas redações e nas condições de trabalho dos jornalistas sob uma lente de gênero. Para esse fim, foram realizadas trinta entrevistas semiestruturadas em profundidade entre outubro e dezembro de 2021 com jornalistas portugueses, homens e mulheres, de níveis júnior e sênior, de diferentes hierarquias, que trabalham na mídia convencional. Suas percepções sobre o impacto da pandemia na produção de notícias mostram as interseções do sexismo e do neoliberalismo nos ambientes de redação. Os jornalistas aceitam como parte do trabalho as longas horas de trabalho e o custo pessoal do material de proteção à saúde e dos equipamentos essenciais para trabalhar em casa, enquanto normalizam o conflito trabalho-casa como uma questão privada das mulheres. Esses achados são discutidos como um reflexo de como a lógica neoliberal tornou os impactos da pandemia mais pesados, especialmente para as mulheres.
Alcântara et al. (Mon,) estudaram essa questão.