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Resumo Contexto Síndromes coronarianas agudas ocorrem na prática diária do cardiologista. A aterosclerose é sem dúvida a principal etiologia; no entanto, existe um mecanismo fisiopatológico alternativo: dissecção espontânea da artéria coronária (SCAD). A aterosclerose e a SCAD não compartilham os mesmos fatores de risco: a epidemiologia típica da SCAD compreende mulheres jovens, muitas vezes durante a gravidez. A SCAD é causada pela ruptura súbita da parede da artéria coronária, resultando na separação do revestimento intimal interno da parede externa do vaso. Descrição do Caso F.C., uma mulher de 37 anos, entrou no Departamento de Emergência (DE) referindo desconforto torácico típico irradiando para a mandíbula e membros superiores, com duração de duas horas. O EKG apresentou elevação do segmento ST em V2-V4. O diagnóstico de ACS–STEMI foi realizado. A angiografia coronária urgente mostrou uma longa dissecção envolvendo a LDA. Inicialmente, devido ao alívio clínico, os médicos sugeriram um tratamento conservador e uma espera cautelosa. Logo, a paciente apresentou arritmias malignas e a revascularização percutânea se fez necessária. O envolvimento do lúmen verdadeiro com o fio-guia foi garantido pela técnica IVUS; o Resolute Onyx 2,5 mmx34 mm foi implantado na parte média da LDA, protegendo a ramificação lateral com um fio-guia adicional. Devido à compressão retrógrada do hematoma intramural, um Resolute Onyx 3 mmx8 mm foi liberado proximamente sobrepondo o primeiro stent. Bom resultado TIMI 3. Após seis meses, a paciente estava assintomática e a tomografia coronária confirmou a patência dos stents e a ausência de novas dissecações. Discussão: Ensaios clínicos randomizados sobre a melhor opção de tratamento em pacientes com SCAD estão indisponíveis. A terapia conservadora é frequentemente a primeira linha, especialmente em dissecações que envolvem segmentos médio-distais do ramo principal. A razão para isso reside em uma alta porcentagem de cura espontânea das dissecações dentro de 3-6 meses. Com base nos dados disponíveis na literatura médica, a PCI realizada em coronariopatia aterosclerótica tem melhores resultados do que a PCI realizada na SCAD. A última está associada a uma maior incidência de complicações periprocedurais. O envolvimento do lúmen falso com fio-guia e a 'compressão' do hematoma intramural após dilatação do stent são as complicações típicas do procedimento. Conclusões Devido ao número exíguo, a SCAD é um tópico com grande lacuna em evidência. Atualmente, muito do nosso conhecimento sobre SCAD resulta de relatos de casos ou pequenas meta-análises. De fato, o presente relato de caso contribui para aumentar o estado da arte sobre este tema.
Picardi et al. (Mon,) estudaram esta questão.
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