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Resumo A distinção embaçada entre liberdade de expressão e discurso de ódio em debates públicos cada vez mais polarizados na Europa e além tem levado à pesquisa sobre discurso de ódio, com foco particular em políticos populistas de direita. No entanto, pouco se sabe sobre como essa distinção é interpretada por cidadãos comuns. Utilizando o conceito de mobilização retrogressiva, este estudo examina como casos de (potencial) discurso político de ódio – um direcionado a minorias racializadas, o outro à comunidade LGBTQ+ – são interpretados e negociados pelos cidadãos comuns por meio de seus comentários em notícias online na Finlândia. Adotando uma abordagem crítica da psicologia discursiva, analisamos os significados vernaculares que os cidadãos comuns atribuem às noções de discurso político de ódio, destacando assim a relação dinâmica entre o discurso político e o cotidiano. Evidenciamos três construções discursivas da relação entre liberdade de expressão e (potencial) discurso de ódio. Nessas construções, os mesmos recursos retóricos, especialmente os argumentos liberais de igualdade e liberdade de expressão, foram utilizados para funções discursivas opostas – ou seja, tanto para fins 'liberais' quanto 'iliberais' – para condenar e justificar a discriminação contra grupos minoritários. Nosso estudo contribui para a compreensão psicossocial do discurso de ódio contemporâneo e constrói uma ponte entre a psicologia social e o campo mais recente da pesquisa anti-gênero.
Pettersson et al. (Ter,) estudaram essa questão.