Este artigo explora como as aspirações e experiências de liderança das mulheres são moldadas por uma crença duradoura, mas muitas vezes ilusória, na meritocracia, particularmente dentro dos setores de alta tecnologia que se orgulham da inovação e da tomada de decisões orientada por dados. Com base em pesquisas contemporâneas (Eagly Ibarra, Ely Derks et al., 2016; Rudman Fine, 2005; Brescoll, 2016; Hewlett, 2019; Joshi et al., 2015; Cech Seron et al., 2018), ilustramos como ideologias individualistas e meritocráticas podem mascarar ou justificar preconceitos de gênero abrangentes em recrutamento, promoção e avaliações de liderança. Mesmo quando empresas impulsionadas pela tecnologia promovem uma ética de quebra de barreiras, as mulheres ainda enfrentam micro-inequidades, exclusão sutil de redes e uma narrativa de “diversidade–qualidade” que as mantém à margem. Através da análise de diários de conteúdo e trechos de entrevistas, o artigo mostra que as mulheres muitas vezes internalizam, racionalizam ou minimizam o tratamento desigual, em parte devido a normas culturais que elevam a habilidade técnica e desconsideram habilidades orientadas socialmente. Além disso, em vez de galvanizar esforços de reforma coletiva ou críticas feministas, o reconhecimento de preconceitos por muitas mulheres permanece fragmentado e personalizado – um obstáculo para uma mudança organizacional mais ampla. À luz das transformações da Indústria 4.0 – abrangendo plataformas digitais, tomada de decisões algorítmicas e modelos de negócios disruptivos – este estudo pede uma reavaliação das culturas de trabalho que assumem, sem questionar, a neutralidade. Propomos que abordar o desequilíbrio de gênero requer não apenas aumentar a participação das mulheres na liderança orientada por dados, mas, mais importante, repensar como a “meritocracia” da era digital pode inadvertidamente replicar antigas hierarquias. Ao questionar a suposição de que a pura capacidade técnica garante a equidade, líderes e organizações podem gerar culturas mais inclusivas e avançar em direção a práticas verdadeiramente transformadoras na era digital.
ZEALA PINTO (2025) estudou essa questão.
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