Resumo: Neste ensaio, abordo a questão do discurso do mundo natural nos Salmos. Em diálogo com a descrição do rastreamento de animais do filósofo Baptiste Morizot e a articulação do encantamento de Jane Bennett, argumento que um forte senso da vivacidade do mundo é uma característica da poesia bíblica. O desacordo acadêmico sobre como contabilizar esse "discurso" aponta para uma incerteza subjacente sobre como nos relacionamos com o mundo. O tratamento de Morizot da imaginação metafórica do rastreamento de animais ajuda a explicar por que os domínios da poesia e da vivacidade se sobrepõem: a arte poética é um espaço para refletir sobre a vivacidade do mundo precisamente porque estratégias literárias como metáfora, voz e antropomorfismo negociam e cultivam a estranha sensação de entrelaçamento humano no mundo que é mais do que humano. Começando com uma reflexão pessoal sobre o rastreamento de animais e envolvendo pensadores que trabalham em questões de animação, vitalidade e vibrância material, argumento que um senso moderado de "encantamento" reivindica os salmos como arte para o antropoceno.
Elaine T. James (qua,) estudou essa questão.