É impossível provar que as experiências subjetivas de cores de todos são idênticas, apesar de um acordo básico sobre a existência de qualidades materiais que causam as sensações ópticas descritas discursivamente como "cor". Em seus escritos, Akutagawa emprega o tema da percepção cromática para explorar e desafiar concepções de subjetividade e objetividade, propondo modos mais intersubjetivos de sentir, conhecer e perceber que paralelam as dinâmicas das experiências estéticas como um todo. Este ensaio traça primeiro como, na coletânea de ensaios de 1927, Literatura, Excessivamente Literária (Bungei-teki na, amari ni bungei-teki na), Akutagawa usa a cor como uma analogia para "espírito poético" (shi-teki seishin), que ele nomeia como o elemento chave que confere aos textos seu valor literário. Em seguida, analiso suas histórias de 1919, "Mandarins" (Mikan) e "Lamaçal" (Numachi), nas quais as disposições emocionais e psicológicas dos personagens são retratadas através de suas reações a cores específicas. Depois, examino as obras posteriores de Akutagawa, em particular "Sonhos" (Yume, 1927), nas quais as referências do protagonista à cor revelam suas dúvidas sobre suas próprias habilidades cognitivas. Essas histórias demonstram como a atração de Akutagawa por cores e sua beleza é sustentada por um interesse contínuo em como as interioridades humanas sentem e avaliam o mundo externo.
Anri Yasuda (Mon,) estudou esta questão.