Estudantes de medicina experimentam flutuações em sua motivação, influenciadas por diversos fatores, incluindo rigor curricular, saúde mental e fatores institucionais. Com base na Teoria da Autodeterminação (SDT) e nos Quatro Pilares do Engajamento Acadêmico (HPEE), este estudo, conduzido em uma universidade privada mexicana, examinou a variação motivacional de acordo com o ano acadêmico, impacto curricular, diferenças de gênero e sua relação com a saúde mental. Métodos: Um estudo quantitativo, transversal e descritivo foi realizado utilizando ferramentas qualitativas para contextualização (n = 1326). Testes U de Mann-Whitney, testes de Kruskal-Wallis, regressão logística e análise de rede psicológica foram realizados. Resultados: A motivação mostrou variação transversal: alta nos anos pré-clínicos 1 e 2, diminuindo nos anos clínicos 3 e 4 (p < 0.001), e recuperando-se no ano 6. O currículo reformado (disciplinas eletivas, aprendizado ativo centrado no estudante) resultou em maior motivação (OR = 10.68, p < 0.001). As mulheres tendiam a ter motivação ligeiramente maior (p = 0.050), médias de notas mais altas (p < 0.001), mas também relataram mais estresse (p < 0.001). A análise de rede revelou que a conquista intrínseca (centralidade = 1.11) e a curiosidade pelo conhecimento (previsibilidade = 84.5%) são os principais motores, enquanto a desmotivação estava ligada aos anos posteriores. A parte qualitativa do estudo mostrou altruísmo/curiosidade como os principais motivadores; maus-tratos/carga de trabalho (desmotivadores). Conclusões: A motivação é sensível ao contexto, atinge o pico na fase pré-clínica, e se recupera com autonomia, mas é vulnerável durante a imersão clínica. A autonomia na escolha de cursos, pedagogias ativas centradas no estudante e apoio sensível ao gênero promovem participação sustentada. A centralidade dos fatores intrínsecos na rede destaca que a motivação para a conquista e o conhecimento são motivadores gerais e independentes. Os dados qualitativos revelam barreiras sistêmicas. Intervenções específicas de estágio, como mentoria, programas de apoio ao estudantes e reportar maus-tratos, podem ser cruciais para fortalecer a resiliência e o desempenho. Estudos longitudinais e multi-institucionais são necessários para validar a causalidade e a generalizabilidade deste estudo.
Arias-Ruiz et al. (Mon,) estudaram esta questão.