Este artigo explora a reflexão de Paul Ricoeur sobre a morte e o mal dentro do contexto da hermenêutica fenomenológica da pessoa, situando-os em sua noção de identidade narrativa. Baseando-se na antropologia da falibilidade, mostra como a finitude e a desproporção constituem a condição estrutural do ser humano, cuja história de vida é marcada pela vulnerabilidade, sofrimento e culpa. A morte aparece como o limite último da narração, enquanto o mal emerge como uma fratura que desafia a coerência da história, uma que não pode ser justificada ou encerrada. A proposta de Ricoeur é uma hermenêutica narrativa capaz de integrar a ferida sem neutralizá-la, de lembrar o outro como um ato de justiça, e de resistir ao esquecimento através da memória viva. Assim, a identidade narrativa se revela como um espaço frágil, mas frutífero, de reconciliação, onde a finitude se torna a própria condição da esperança.
Pedro José Grande Sánchez (Qui,) estudou esta questão.
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