Resumo Este artigo revisita a suposição comumente aceita na historiografia da interpretação de que intérpretes existiam como uma categoria profissional no Antigo Império do Egito. Focando em indivíduos designados por títulos compostos com iaA(w), este artigo reavalia as evidências textuais e iconográficas fragmentárias frequentemente citadas em apoio a essa afirmação. O autor argumenta que esses indivíduos não devem ser entendidos como intérpretes no sentido profissional moderno, mas sim como agentes multifuncionais de mediação de fronteira. Seus papéis — que variavam desde a negociação linguística e intercultural até a coordenação administrativa, supervisão militar e gerenciamento de mobilidade e recursos em zonas liminais — refletem estratégias flexíveis de gerenciamento de fronteiras moldadas pela circunstância, em vez de um perfil ocupacional estável. Ao reexaminar as fontes disponíveis sob a perspectiva da função em vez da profissão e destacar as projeções anacrônicas, a tendência de profissionalizar retroativamente o passado é desafiada. O autor propõe, em vez disso, que os títulos iaA(w) designam os mediadores adaptáveis incorporados nas periferias interculturais do Antigo Egito e oferece um modelo historicamente fundamentado de mediação pré-moderna que convida a um diálogo mais profundo entre a Egiptologia e os Estudos de Tradução e Interpretação.
Anabel Galán-Mañas (qui,) estudou esta questão.
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