O Primeiro-ministro do Japão anunciou recentemente uma parceria estratégica com o Banco Mundial para apoiar o desenvolvimento de recursos humanos para a Cobertura Universal de Saúde (CUS) no Sul Global. Enquanto essa mudança de infraestrutura para capital humano é oportuna, corre o risco de cair na 'armadilha do treinamento'—produzindo trabalhadores qualificados que os governos nacionais não podem empregar. Este comentário argumenta que, em muitos países de baixa e média renda, o principal gargalo para a expansão da força de trabalho não é a falta de pessoal treinado, mas o 'excesso paradoxal': uma coexistência de necessidades agudas de saúde, profissionais de saúde desempregados e rígidos limites fiscais nas despesas com salários do setor público. Com base em evidências recentes da África Subsaariana e além, demonstramos que intervenções do lado da oferta (educação) sem reformas do lado da demanda (emprego) apenas alimentarão a fuga de cérebros. Propomos que o verdadeiro valor da parceria Japão-Banco Mundial reside em unir as lacunas entre os Ministérios da Saúde e da Fazenda. O Japão deve aproveitar a influência macroeconômica do Banco Mundial para expandir o 'espaço fiscal' para a saúde, garantindo que a Assistência Oficial para o Desenvolvimento (AOD) para a educação seja acompanhada pela capacidade doméstica de absorver e reter graduados. Apenas ao vincular o treinamento à reforma fiscal pode a promessa de CUS do Japão se tornar uma realidade sustentável.
K. Kubota (Sun,) estudou esta questão.