As cristalinas são proteínas de longa duração encontradas em alta concentração na lente ocular. Elas acumulam numerosas modificações pós-traducionais durante o envelhecimento e são resistentes à desnaturação. Desamidação e oxidação de proteínas são duas das modificações relacionadas à idade mais prevalentes encontradas in vivo. A desamidação em resíduos labis de Asn e Gln na lente humana está associada à catarata nuclear relacionada à idade, altamente prevalente. Relatamos anteriormente que a desamidação associada à catarata em Asn (N) 14 e N76 na γS-cristalina foi de 3 a 11 vezes maior na fração insolúvel isolada no núcleo de uma lente humana altamente brunescente em comparação com um controle pareado por idade. A desamidação em N14 e N76 levou a uma maior dinâmica de proteínas e agregação sob condições oxidativas. Durante o envelhecimento, o pool de glutationa da lente diminui no centro da lente, tornando os grupos sulfidrila nas cristalinas mais suscetíveis à oxidação. Usando espectrometria de massas de alta resolução, identificamos um mecanismo gradual de ligações cruzadas de dissulfeto na γS-cristalina e o efeito da desamidação nesse caminho. Esses dados fornecem uma forte premissa para nossa hipótese de que a acumulação de desamidões específicas nas cristalinas da lente facilita a ligação cruzada de dissulfetos não nativos entre β/γ-cristalinas, iniciando sua agregação. Essas descobertas são cruciais para estabelecer causalidade entre a acumulação de modificações pós-traducionais e catarata. E, embora a desamidação possa não ser evitável, a intervenção terapêutica precoce com antioxidantes direcionados a locais específicos pode retardar o início das cataratas. Financiado pelo NIH-NEI EY027012.
Lampi et al. (Sun,) estudaram essa questão.