Contexto/Objetivos: O medo da dor (MdD) é um fator psicológico crítico que influencia a experiência da dor, no entanto, os mecanismos por trás dessa relação permanecem obscuros. A variabilidade da frequência cardíaca (VFC), indexada aqui pela RMSSD em repouso, reflete diferenças individuais no tônus vagal cardíaco e tem sido associada à percepção da dor e a processos psicológicos relacionados à dor. Neste estudo exploratório e transversal, examinamos se a VFC media a relação entre o MdD e a percepção subjetiva da intensidade da dor. Métodos: Vinte e dois participantes saudáveis completaram várias medidas autorrelatadas, incluindo o Questionário de Medo da Dor (FPQ-SF), e passaram por uma indução experimental de dor fria, além de um registro contínuo da frequência cardíaca em repouso. Uma análise de mediação foi realizada para avaliar o efeito indireto da VFC, calculado via a Diferença Sucessiva Quadrática Média (RMSSD), na percepção da dor fria. Resultados: Em análises correlacionais, a subescala de Medo da Dor Severa (MdDS) foi associada a uma RMSSD em repouso mais baixa e classificações mais altas de dor fria. Em modelos de mediação, o padrão dos resultados foi consistente com uma associação indireta entre MdDS e classificações de dor fria via RMSSD (bootstrap 90% IC), enquanto o caminho direto de MdDS para dor não foi significante. Conclusões: Esses achados preliminares geram hipóteses e sugerem que as diferenças individuais na VFC em repouso podem ser um correlato fisiológico da relação medo-dor em controles saudáveis, em vez de um índice de respostas autonômicas durante a dor em si. Estudos longitudinais e experimentais maiores são necessários para testar a ordem temporal, a especificidade entre os componentes do MdD e se as medidas autonômicas durante a dor explicam melhor a associação medo-dor.
Venezia et al. (Terça,) estudaram essa questão.