As Oralotecas estão ressurgindo. Através de um processo de pesquisa-criação, este texto é um espaço para a discussão da memória biocultural na Colômbia, especialmente suas sonoridades. Novas formas de agir e se relacionar com o mundo encontram-se na diversidade do patrimônio biocultural, em um contexto de erosão da biodiversidade e das culturas. Isso surge como uma rede de relações inerentes com o ambiente socio-técnico. Baseado em processos de comunicação popular e apropriação social da ciência e da tecnologia, foi realizada uma escola de sensibilização sonora com coletivos de comunicação dos municípios de Tumaco, Guapi, Buenaventura e Nuquí, como meio para a sistematização de práticas associadas tanto à biodiversidade quanto à cultura de duas comunidades afrocolombianas do Pacífico colombiano. Assim, através de um processo participativo de sonorização e criação ambiental, foram realizadas visitas aos territórios costeiros para a produção e pós-produção de peças artísticas denominadas “Postais Sonoros” e ilustrações, para divulgar os conhecimentos ecológicos tradicionais. O processo foi sistematizado em uma página da web e apoiado no uso de mecanismos sonoros vinculados aos territórios. Como exercício exploratório, a experiência recolhe novos elementos da relação cultura-ambiente-tecnologia através de práticas de criação artística baseadas no lugar. Em conclusão, é necessário problematizar o papel das tecnologias e da criação artística para a difusão da oralidade além dos processos logocêntricos ligados à comunicação hegemônica do conhecimento.
Juan David Reina-Rozo (qui,) estudou esta questão.