Este artigo tem como objetivo analisar a presença de certos números simbólicos no poema Sir Gawain e o Cavaleiro Verde (Borrof, 1967; em Abrams, 19936: 202-254), bem como sua função. Antes da análise desses números, serão fornecidas informações sobre o próprio poema, seu contexto histórico e outros conceitos chave para a estrutura teórica do artigo, como “numerologia”, além de um resumo de algumas das principais descobertas sobre os números 2 e 3. Embora já se tenha prestado atenção a essas figuras (Casas Pedrosa, 2007), os números em estudo agora são quatro (por exemplo, o número de dias que a festa no castelo de Bertilak durou), cinco (por exemplo, ligado ao pentágono e suas fortes conotações religiosas), quinze (por exemplo, a duração em dias da festa de Artur) e vinte e cinco (o quadrado de um número “perfeito” e a data em que Cristo nasceu em dezembro, segundo a Bíblia Sagrada), entre outros. Mais uma vez, os leitores podem perceber que a escolha de alguns números em certas passagens do poema não foi feita ao acaso, mas é o resultado de um processo mais complexo. Assim, o autor poderia ter selecionado cuidadosamente esses números porque eram significativos, ou seja, poderiam ser usados ao longo do poema para desempenhar um papel determinado. Portanto, poderiam reforçar uma ideia dada, ilustrar um conceito fornecendo um exemplo, sublinhar um fato, lembrar os leitores de outro evento com o qual poderiam estar familiarizados devido à sua presença na tradição oral, etc. Finalmente, esta análise nos permitirá chegar a várias conclusões, como o fato de que os números acima mencionados não são simples, mas foram considerados simbólicos. Assim, o poeta os teria escolhido para dar coesão à sua estrutura, entre outras razões.
Antonio Vicente Casas Pedrosa (Mon,) estudou esta questão.