Resumo: Nos últimos anos, especialmente a partir de 2022, testemunhou-se a ascensão do Sul Global como uma força a ser considerada nos assuntos mundiais. Impulsionados por eventos como a guerra na Ucrânia, a guerra em Gaza e a expansão do BRICS, países da África, Ásia e América Latina reafirmaram suas demandas por um lugar à mesa da governança global. Junto a esse fenômeno, também testemunhamos o retorno do não-alinhamento como política externa de escolha entre muitas dessas nações, embora em uma nova encarnação, desta vez como Não-Alinhamento Ativo (ANA). O objetivo deste artigo é examinar as origens, evolução e principais características da ANA, com ênfase especial em sua dimensão de economia política internacional. A primeira seção analisa as raízes da atual crise da ordem global; a segunda observa a transição de uma economia mundial hiper-globalizada, impulsionada em grande parte por forças de mercado e empresas transnacionais, para uma em que o papel do Estado-nação retoma o centro das atenções e a geopolítica desloca considerações comerciais como a força principal; a terceira seção esboça a ascensão do Sul Global e a quarta descreve do que se trata a ANA.
O Embaixador Jorge Heine (Mon,) estudou essa questão.