O Montado, um sistema agro-silvopastoril tradicional do Mediterrâneo, sustentou historicamente funções ecológicas e econômicas por meio da integração de árvores, gado e culturas agrícolas. Hoje, sua multifuncionalidade está cada vez mais ameaçada pela variabilidade climática, volatilidade do mercado e evolução dos marcos políticos. Enquanto pesquisas anteriores examinaram a dinâmica do Montado em escalas de paisagem ou parcela, menos atenção foi dada às trajetórias de sustentabilidade no nível da fazenda, onde se tomam as decisões de manejo. Este estudo preenche essa lacuna avaliando a dinâmica da sustentabilidade das fazendas por meio de uma abordagem participativa, baseada em tipologias e cenários, fundamentada em uma tipologia regional. Caracterizamos três arquétipos representativos de fazendas (focadas em silvicultura, agro-silvopastoril mista e focadas em pecuária) e avaliamos suas trajetórias sob cenários futuros plausíveis impulsionados por pressões climáticas, de mercado e políticas. Os resultados dos cenários foram avaliados usando pontuação baseada em especialistas (escala de cinco pontos), revelando diferenças de até dois pontos nas dimensões de sustentabilidade entre arquétipos de fazendas e cenários. Os achados revelam conflitos marcantes: fazendas focadas em árvores mantêm alto valor ambiental, mas permanecem vulneráveis a restrições de mercado e mão de obra, enquanto fazendas especializadas em pecuária atingem maior produção econômica às custas da integridade ecológica. Sistemas mistos demonstram maior resiliência por meio da diversificação, mas enfrentam desafios significativos de intensidade de mão de obra. Concluímos que políticas atuais “tamanho único” geram incentivos contraditórios. Portanto, estruturas de governança adaptativas (por exemplo, esquemas de pagamento baseados em resultados) são essenciais para realinhar a economia das fazendas com a gestão ecológica. Além do Montado, a abordagem fornece insights relevantes para outros sistemas agroflorestais mediterrâneos enfrentando desafios semelhantes de sustentabilidade.
Fatahi et al. (Qua,) estudaram esta questão.
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