Desde dezembro de 2019, a COVID-19, causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2), desencadeou uma grave crise de saúde global, com destaque particular para casos de síndrome respiratória aguda severa. No Brasil, o estado do Amazonas se destacou como um dos primeiros epicentros da pandemia. Em 14 de janeiro de 2021, a rede pública de saúde em Manaus entrou em colapso devido à demanda excessiva, resultando em centenas de mortes causadas pela falta de oxigênio hospitalar. Este estudo teve como objetivo avaliar as características clínicas e epidemiológicas dos casos hospitalizados de SARS/COVID-19, comparando períodos com e sem disponibilidade de vacina. Foi conduzido um estudo epidemiológico transversal utilizando dados secundários de pacientes hospitalizados entre abril de 2020 e abril de 2022 em Tabatinga, Amazonas, divididos em um período pré-vacinação (abril de 2020 a março de 2021) e um período de vacinação (abril de 2021 a abril de 2022), com diagnóstico de síndrome respiratória aguda severa devido à COVID-19. Foram registradas 538 internações por COVID-19 durante o período; 307 (57,1%) eram pacientes do sexo masculino. No período pré-vacinação, 32,1% dos casos necessitaram de cuidados em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e intubação orotraqueal (OTI), enquanto no período de vacinação essa proporção foi de 5% (PR 6,5; IC 95% 3,6–11,8). A mortalidade foi de 36,7% no primeiro período, em comparação com 9,5% uma vez que a imunização estava disponível (PR 3,9; IC 95% 2,5–6,0). Após a introdução da vacina, houve uma mudança no perfil etário dos pacientes hospitalizados, de 58 anos (mediana) para 8 anos no período de vacinação (p < 0,001). Os dados mostram que durante o período de vacinação houve uma diminuição na letalidade, na necessidade de admissão em UTI e no número total de internações. Esses achados reforçam a necessidade de fortalecer as políticas de prevenção primária, enfatizando a importância das campanhas de vacinação contra a COVID-19.
Moreira et al. (Sun,) estudaram essa questão.