A saúde sexual é um componente essencial da saúde abrangente, envolvendo dimensões físicas, emocionais e sociais. Apesar de sua relevância clínica, o tema ainda é pouco abordado na formação médica, muitas vezes negligenciado devido a inseguranças, tabus e lacunas curriculares. Nesse contexto, as ligas acadêmicas desempenharam um papel estratégico ao promover ações educativas voltadas para a formação de futuros médicos. Este estudo teve como objetivo relatar uma intervenção educacional sobre saúde sexual realizada entre ligas acadêmicas e refletir sobre sua contribuição para a educação médica. A atividade foi desenvolvida por ligas acadêmicas de uma instituição de ensino superior em São Paulo e consistiu em uma aula expositiva e interativa sobre saúde sexual, precedida e seguida por questionários online. Vinte e sete estudantes de medicina participaram, 24 do sexo feminino e 3 do sexo masculino. Em relação ao estágio do curso, 70,3% estavam no 8º período, 22,2% no 10º e 7,4% no 2º. Antes da intervenção, 88,9% dos participantes reconheceram a importância do tema para a prática médica, mas apenas 11,1% se sentiram preparados para abordá-lo com pacientes. Após a aula, os alunos relataram maior compreensão conceitual sobre saúde sexual e uma melhoria significativa na autoconfiança para aplicar os conhecimentos adquiridos no atendimento clínico. A atividade foi avaliada como relevante, necessária e transformadora. A experiência ressaltou a falta de formação específica em saúde sexual durante a escola de medicina e o potencial de ações promovidas por ligas acadêmicas para preencher essa lacuna. A construção coletiva do conhecimento em um ambiente acolhedor e dialógico favoreceu a desconstrução de preconceitos e o fortalecimento das competências clínicas e de comunicação. Iniciativas como esta são altamente recomendadas e devem ser mais frequentemente integradas aos currículos médicos formais, visando formar profissionais mais éticos, empáticos e tecnicamente preparados para lidar com a diversidade e complexidade da saúde sexual.
Mathias et al. (Sun,) estudaram essa questão.
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