A desigualdade no acesso à profilaxia pré-exposição (PrEP) para HIV tem sido um desafio desde sua implementação no sistema público de saúde brasileiro em 2017. Este estudo compara o perfil dos usuários de PrEP com o dos novos casos de HIV no Brasil entre 2018 e 2024, avaliando o componente “Alcance” do framework RE-AIM. Estudo descritivo com dados secundários do Painel de Monitoramento da PrEP, do Sistema de Informação de Agravos de Notificação e do Sistema de Controle Laboratorial para CD4+/CD8+ e carga viral do HIV. O alcance foi analisado pela representatividade sociodemográfica (idade, raça/cor da pele, escolaridade e grupo populacional). Foram incluídos todos os registros completos de 2018 a 2024. Taxas simples de crescimento anual foram calculadas no Excel (2018). Não foram aplicados métodos qualitativos ou análises de custo de recrutamento. De 2018 a 2024, houve redução na taxa de crescimento composta dos novos casos de HIV (−11,6%), enquanto os novos usuários de PrEP aumentaram (+51,4%). Os novos casos de HIV predominaram entre homens que fazem sexo com homens (HSH, 55%), indivíduos pardos (48,1%), pessoas com 8–11 anos de escolaridade (40,7%) e na faixa etária de 30–39 anos (27,1%). Os usuários de PrEP estavam concentrados entre HSH (81,8%), indivíduos brancos/asiáticos (55,9%), aqueles com ≥12 anos de escolaridade (72,1%) e na mesma faixa etária (43,8%). O crescimento entre grupos anteriormente subatendidos — como negros, pessoas mais jovens e com menor escolaridade — indica avanços em equidade. Entretanto, houve redução do crescimento entre grupos com alta adesão inicial, como HSH de 30–39 anos (−13,4% entre 2023–2024), sugerindo necessidade de estratégias de retenção. A PrEP tem contribuído para reduzir a incidência de HIV no Brasil, mas seu alcance inicial favoreceu grupos com menor vulnerabilidade social. A análise RE-AIM mostra expansão positiva na representatividade sociodemográfica entre populações-chave. Estratégias de comunicação, descentralização e inclusão de métodos qualitativos podem fortalecer o alcance e ampliar a representatividade. Limitações incluem uso de dados secundários sujeitos a subnotificação, ausência de componentes qualitativos e uso de ferramentas estatísticas básicas.
Rodrigues et al. (Sun,) estudaram esta questão.