Resumo Este artigo examina como a Inteligência Artificial (IA) é imaginada e narrada em relação ao terrorismo e ao contraterrorismo por meio de dois relatórios de política publicados em conjunto pelo Centro de Contraterrorismo da ONU e pelo Instituto de Pesquisa em Crime e Justiça Interregional da ONU. Baseando-se no conceito de Imaginários Sociotécnicos (SIs) e integrando Estudos de Ciência e Tecnologia com Estudos Críticos de Segurança e Terrorismo, o artigo analisa como IA, terrorismo e contraterrorismo são co-construídos discursivamente. Argumenta que os relatórios contribuem para a construção de um SI emergente específico: aquele em que a IA é apresentada como inevitável e transformadora, o terrorismo como cada vez mais tecnológico, e o contraterrorismo habilitado por IA como necessário e moralmente imperativo. Através deste imaginário, futuros especulativos e ameaças iminentes são mobilizados para legitimar respostas cautelares e potencialmente excepcionais. Ao invocar autoridade científica, consenso de especialistas e a linguagem de neutralidade técnica, esses órgãos da ONU atuam como uma autoridade tecnocrática, apresentando suas orientações como apolíticas enquanto reforçam uma visão particular da governança de segurança global. O artigo, portanto, contribui para a literatura ao mostrar como os imaginários de IA são produzidos, estabilizados e circulados dentro de instituições de segurança internacional, e ao revelar seus efeitos políticos mais amplos, incluindo a despolitização de escolhas tecnológicas e a normalização do contraterrorismo habilitado por IA como um futuro inevitável.
Alice Martini (Ter,) estudou esta questão.