Introdução Choques no sistema de saúde, como a pandemia de COVID-19, interromperam significativamente o atendimento rotineiro de maternidade. Este estudo explorou as experiências vividas ao acessar cuidados de maternidade durante tal choque, com foco em populações marginalizadas e aquelas com complexidade social ou médica. Métodos Foram realizadas entrevistas semiestruturadas (n=55) com 40 mulheres e 15 parceiros em todo o Reino Unido que acessaram cuidados de maternidade durante a pandemia. Os dados foram analisados usando Análise de Modelos (Template Analysis), guiada por uma estrutura estendida de Candidatura, que explora como a elegibilidade para cuidados de saúde é negociada entre indivíduos e sistemas de saúde. Resultados No nível individual, informações limitadas e relações interrompidas dificultaram que os indivíduos afirmassem sua reivindicação à candidatura ao buscar cuidados. No nível do sistema, os serviços tornaram-se mais difíceis de usar devido a novas barreiras associadas à prestação de cuidados virtuais e restrições para parceiros. Julgamentos foram feitos por profissionais sobre diferenças culturais, planos de parto e opiniões das mulheres sendo desrespeitadas. No nível conjunto indivíduo-sistema, navegar no sistema tornou-se mais difícil devido a restrições em constante mudança. Usuários resistiram a ofertas de cuidados que não se alinhavam às suas necessidades. Condições locais como mensagens da mídia e grande pressão sobre a força de trabalho do Serviço Nacional de Saúde agravaram ainda mais as experiências negativas de cuidado. Essas barreiras foram exacerbadas para aqueles pertencentes a grupos marginalizados. Conclusões As barreiras para buscar cuidados de maternidade durante choques no sistema de saúde estão distribuídas nos níveis individual, de sistema e conjunto, afetando desproporcionalmente aqueles que enfrentam desvantagens sociais ou médicas. Políticas responsivas e desenho de serviços devem abordar esses desafios interseccionais para melhorar a equidade no acesso e no atendimento durante futuras interrupções.
Dasgupta et al. (qui,) estudaram esta questão.
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