A sensação de estar vivo aponta para uma conexão intricada entre o processo orgânico da vida e a experiência subjetiva fundamental, ou entre vida e experiência (Leben e Erleben). Com base nessa premissa, argumento que a autoexperiência não pode ser entendida como um espaço mental interno ou um "modelo de eu" que poderia ser produzido e localizado no cérebro, mas sim que é uma manifestação da vida do organismo como um todo. Primeiro, examino em detalhe a fenomenologia da sensação de vida, distinguindo entre dois componentes: vitalidade (sentimentos vitais básicos) e conação (impulso, urgência, desejo). Além disso, demonstro as fundações de ambos os componentes em processos autorreguladores que mantêm a homeostase de todo o organismo. A base suficiente da autoconsciência não pode ser encontrada nos "correlatos neurais da consciência" individuais, mas apenas na auto-organização e no processo de vida do organismo em sua relação com o ambiente. A sensação de estar vivo é então mostrada como a forma fundamental de autoconsciência, tanto do ponto de vista fenomenológico quanto biológico. Finalmente, o artigo explora a psicopatologia da sensação de estar vivo, tomando os exemplos de depressão e síndrome de Cotard.
Thomas Fuchs (Mon,) estudou esta questão.