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O modelo biopsicossocial é tanto uma filosofia de cuidado clínico quanto um guia prático clínico. Filosoficamente, é uma forma de entender como o sofrimento, a doença e a enfermidade são afetados por múltiplos níveis de organização, do social ao molecular. No nível prático, é uma maneira de compreender a experiência subjetiva do paciente como um contribuinte essencial para um diagnóstico preciso, resultados de saúde e cuidado humanizado. Neste artigo, defendemos o modelo biopsicossocial como uma contribuição necessária ao método clínico científico, ao mesmo tempo em que sugerimos 3 esclarecimentos: (1) a relação entre aspectos mentais e físicos da saúde é complexa - a experiência subjetiva depende, mas não se reduz, às leis da fisiologia; (2) modelos de causalidade circular devem ser temperados por aproximações lineares ao considerar opções de tratamento; e (3) promover uma relação mais participativa entre clínico e paciente está em sintonia com as tendências culturais ocidentais atuais, mas pode não ser aceito universalmente. Propomos uma prática clínica orientada pelo biopsicossocial cujos pilares incluem (1) autoconsciência; (2) cultivo ativo de confiança; (3) um estilo emocional caracterizado pela curiosidade empática; (4) autorregulação como uma forma de reduzir o viés; (5) educar as emoções para auxiliar no diagnóstico e na formação de relações terapêuticas; (6) usar a intuição informada; e (7) comunicar evidências clínicas para fomentar o diálogo, não apenas a aplicação mecânica de protocolos. Em conclusão, o valor do modelo biopsicossocial não está na descoberta de novas leis científicas, como o termo "novo paradigma" sugeriria, mas sim em orientar a aplicação parcimoniosa do conhecimento médico às necessidades de cada paciente.
Francesc Borrell Carrió (Mon,) estudou esta questão.
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