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Embora os processos participativos no desenvolvimento urbano tenham como objetivo aumentar a influência dos cidadãos, décadas de experimentação levaram a resultados mistos. Neste artigo, respondemos a duas perguntas inter-relacionadas: (1) Como são definidos os "interesses dos cidadãos" em acordos que gerenciam projetos de reurbanização? (2) Quando—sob quais condições—os cidadãos podem alterar a trajetória do desenvolvimento urbano? Ao analisar casos através do conceito de "registros pragmáticos", mostramos como residentes, desenvolvedores e servidores públicos podem distorcer a participação cidadã—e seus arranjos materiais que vão de oficinas e reuniões públicas a contratos e documentos de políticas—para atender aos seus próprios interesses. Os instrumentos organizacionais e legais utilizados no planejamento urbano, argumentamos, privilegiam cidadãos empreendedores que são ativos, flexíveis e possuem know-how de negociação. Os processos participativos (re)produzem categorias morais, com residentes empreendedores vistos como os "bons" residentes que, doravante, se tornam o foco da política urbana. Essas categorias, no entanto, podem ser desafiadas por outros residentes que mobilizam apoio de políticos, da mídia e dos tribunais. Isso, por sua vez, gera novos debates sobre quem realmente representa o bairro, criando novas fronteiras entre os residentes.
Stapper et al. (Sat,) estudaram essa questão.
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