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Ao revisar as condições necessárias para a existência de mercados, nenhum conceito é mais útil ou apropriado do que o de ‘externalidade’. O conceito de externalidade é efetivamente central tanto para as economias quanto para a economia. Assim, uma tentativa de esclarecer seu significado e alcance representa um ponto de partida adequado para esforços renovados de cooperação entre sociólogos e economistas. Em vez de destacar as limitações e fraquezas do conceito com a intenção de atacar as limitações e fraquezas da teoria econômica, pretendo mostrar quão útil ele é como ferramenta para entender a dinâmica dos mercados, recorrendo à sociologia como um recurso adicional. Abordarei essa tarefa sob a perspectiva do sociólogo da ciência e técnicas. Isso me permitirá não apenas destacar o papel do investimento—em particular o tecnológico—na emergência de agentes econômicos capazes de estratégias e cálculo; servirá também como um incentivo para levar mais a sério o papel ‘performativo’ das ciências—e, portanto, também da economia e da sociologia. Começarei colocando meu chapéu de economista para recordar brevemente meus colegas sociólogos as várias maneiras pelas quais o conceito de externalidade pode ser definido, junto com suas implicações práticas e teóricas. Isso levará a uma discussão sobre os vários mecanismos nos quais o conceito é fundamentado. Em seguida, abordarei primeiro o que aqui me referirei como ‘enquadramento/transbordamento’ e as várias questões associadas à identificação, medição e contenção de tais transbordamentos. Posteriormente, focarei minha atenção no papel desempenhado pelas tecnociências na proliferação de transbordamentos, destacando o papel ativo das ciências sociais—ao lado das ciências naturais—na identificação e gestão de externalidades. Finalmente, chegarei a uma das conclusões mais importantes sugeridas por este exercício: que o mercado não está simplesmente se expandindo, mas sim emergindo e reemergindo continuamente, e que sua consolidação requer investimentos constantes e substanciais. 1. Definição(ões) e questões
Michel Callon (Sex,) estudou essa questão.