A remunicipalização da água urbana é frequentemente esperada para restaurar a responsabilidade pública por meio da governança participativa. No entanto, fóruns participativos criados durante a remunicipalização são frequentemente restringidos ou desmantelados quando atores cívicos pressionam por decisões alocativas. Este artigo desenvolve uma explicação em nível meso do retrocesso participativo e traça dois caminhos em Paris e Nápoles. Com base em vinte entrevistas, documentos, auditorias e rastreamento de processos explicativos (2001–2020), mostra como a profissionalização cívica e a contestação crescente tornam a participação consequente, e como os executivos municipais respondem quando as reivindicações se direcionam a orçamentos, prioridades de investimento, emprego ou coordenação metropolitana. Em Paris, a participação é preservada em forma, mas restringida por contenção processual, controle de agenda e enquadramento tecnocrático. Em Nápoles, a governança cívica empoderada colapsa devido a rupturas executivas em meio a estresse fiscal, degradação da infraestrutura e pressões distributivas. Em ambos os casos, a propriedade pública persiste enquanto a inclusão cívica é reescalonada e redefinida. As descobertas reposicionam a participação como um instrumento contingente de controle executivo na cidade pós-privatização.
Turri et al. (Sex,) estudaram essa questão.