Contexto: A sarcopenia está associada a desfechos adversos em populações oncológicas, contudo a trajetória pós-operatória do músculo esquelético após cirurgia da coluna para doença metastática permanece pouco caracterizada. Objetivo: Quantificar alterações pós-operatórias na composição corporal baseada em TC após estabilização cirúrgica de metástases na coluna vertebral e avaliar o impacto prognóstico da sarcopenia pré-operatória e do declínio muscular pós-operatório. Desenho do estudo/Ambiente: Estudo de coorte retrospectivo em centro terciário de coluna (2016-2024). Amostra de pacientes: 285 adultos submetidos à estabilização cirúrgica para metástases vertebrais com TC pré-operatória (tCT1) e TC de acompanhamento rotineiro aproximadamente 9 meses após (tCT2). Medições de desfecho: Sobrevida global, tempo de internação, complicações pós-operatórias, status funcional ECOG e parâmetros morfométricos por TC em L3 (SMI, PSMI, PMI, VAT, SMD). Métodos: Morfometria por TC realizada com protocolos padronizados. Sarcopenia pré-operatória definida por limiares validados de SMI específicos por sexo. Análise ROC identificou declínio de 15% no SMI pós-operatório como ponto ideal para predição de sobrevida. Modelos de Cox multivariados ajustaram para covariáveis clínicas e oncológicas. Incluiu coorte de fratura não oncológica submetida à estabilização lombar para diferenciar perda muscular relacionada à cirurgia da caquexia sistêmica do câncer. Resultados: Massa e qualidade do músculo esquelético declinaram substancialmente após cirurgia, especialmente após estabilização lombar. Procedimentos minimamente invasivos associaram-se a perda muscular significativamente menor que abordagens abertas (declínio do SMI -24% versus -40%, p<0,0001). Em comparação com controles de fratura, pacientes metastáticos demonstraram perdas marcantes nos índices musculares e padrão distinto de depleção de gordura visceral. Declínio de SMI ≥ 15% previu independentemente menor sobrevida (mediana 284 vs. 730 dias; HR 4,78) e pior status funcional. Sarcopenia pré-operatória, presente em um terço dos pacientes, também previu mortalidade (HR 4,01), internação prolongada e maior taxa de complicações. Conclusões: A perda pós-operatória de músculo esquelético após estabilização para metástases na coluna é frequente e clinicamente relevante. Tanto a sarcopenia pré-operatória quanto o declínio do SMI pós-operatório predizem independentemente a sobrevida, apoiando a avaliação morfométrica de rotina e a adoção de estratégias cirúrgicas e de reabilitação que preservem a musculatura.
Kylies et al. (Qua,) estudaram esta questão.