A globalização, as mudanças climáticas e a industrialização agrícola, como parte de uma polícise mais ampla, estão influenciando cada vez mais o futuro da camponesidade. Atualmente, a descamponesização e o envelhecimento rural são realidades na maioria dos países. No entanto, esses processos sociais não são lineares e, sob contextos específicos, a recamponesização também ocorre, modificando a cultura, os sistemas e os movimentos camponeses. Esta revisão tem como objetivo analisar essas três dimensões do mundo camponês, refletindo sobre os possíveis futuros da camponesidade em um mundo globalizado, sujeito a constantes mudanças e pressões no ambiente rural. Compreender a cultura, os sistemas e os movimentos camponeses fornece insights críticos sobre agricultura sustentável, soberania dos recursos e a resiliência dos meios de subsistência rural. Este estudo explora como os camponeses forjam ativamente seus futuros, investigando como adotam diversas estratégias de reprodução social. Narrativas tradicionais sobre o processo de descamponesização são analisadas, identificando caminhos para empoderamento, resiliência e meios de subsistência sustentáveis, para entender a adaptação dos sistemas de vida dos camponeses como expressões de uma sensibilidade metamoderna. O futuro da camponesidade reside em um delicado equilíbrio entre tradição e inovação. A primeira desempenha um papel crucial na proteção do conhecimento local adquirido ao longo de décadas de tentativa e erro; a segunda é essencial para lidar com as crescentes incertezas climáticas e econômicas. Sistemas camponeses podem se tornar estruturas importantes para adaptar processos agrícolas e pastoris em um mundo em rápida mudança no presente e no futuro. Esta revisão oferece uma visão multidisciplinar dos impactos socioambientais sobre os socioecossistemas camponeses, analisando a descamponesização territorial, a recamponesização e o envelhecimento rural, explorando dimensões sociais, ecológicas e éticas dos sistemas camponeses. O conhecimento ecológico tradicional, juntamente com a agroecologia e a economia circular, pode desempenhar um papel crucial no futuro, promovendo a soberania alimentar, a sustentabilidade rural, impactando a mudança agrária e melhorando os sistemas de vida dos camponeses.
Marcos Sebastián Karlin (Sat,) estudou essa questão.