Este artigo busca demonstrar que a durabilidade do Modelo de Déficit como uma heurística da prática de comunicação científica está enraizada em fatores materiais que moldam os contextos objetivos de ação que os comunicadores científicos enfrentam em suas práticas diárias. Para atingir esse objetivo, ele se baseia em 26 entrevistas semi-estruturadas com profissionais de comunicação e outros especialistas que estiveram direta ou indiretamente envolvidos na comunicação de projetos financiados pela UE. Encontrou-se uma prevalência esmagadora de concepções orientadas para o déficit sobre as funções e propósitos da comunicação científica entre os especialistas em PBSC. Além disso, através das próprias experiências e narrativas dos entrevistados, o artigo identifica vários fatores potenciais embutidos no contexto institucional dos projetos financiados pela UE que podem explicar a predominância do Modelo de Déficit. Nossa estrutura dialético-materialista fornece lentes analíticas poderosas para investigar a durabilidade do Modelo de Déficit em diversos ambientes de comunicação científica, pois direciona a atenção das concepções mentais e esquemas cognitivos em si para as condições objetivas com base nas quais as concepções orientadas para o déficit de comunicação ganham ou mantêm sua eficácia prática.
Luis Arboledas-Lérida (Mon,) estudou essa questão.