Este estudo examina a adolescência como um local de crise psicológica nas narrativas de vampiro, focando na estrutura edípica e seu papel na formação da identidade. Baseando-se na teoria psicanalítica de Sigmund Freud e no conceito de abjeção de Julia Kristeva, a análise destaca a tensão entre os princípios de prazer e realidade, à medida que as jovens protagonistas desconsideram as injunções maternas e buscam o desejo, precipitando, assim, a transformação vampírica. Vampyrismus (1821) de E.T.A. Hoffmann dramatiza essa inevitabilidade por meio da metamorfose abjeta de Aurélie, enquanto A Vampire Story (2008) de Moira Buffini explora a sensibilidade frágil de Eleanor e seu amor transgressor por Frank. A análise utiliza uma leitura comparativa atenta dessas obras que dramatizam como as protagonistas femininas negociam tensões entre desejo e repressão. Este estudo demonstra que a estrutura do complexo edípico evidente no conto de fadas Chapeuzinho Vermelho pode ser lida como a origem psicológica da vampirização nas narrativas de Hoffmann e Buffini. O estudo também examina a adaptação cinematográfica contemporânea de Neil Jordan para ilustrar como essas estruturas simbólicas continuam em diferentes mídias. A figura do vampiro emerge como uma presença liminal que desestabiliza as fronteiras entre sujeito e objeto, pureza e impureza, e vida e morte. Este estudo argumenta que o vampirismo funciona como uma metáfora para crises de identidade adolescentais, onde desejo e abjeção marcam locais privilegiados da subjetividade feminina. Esta perspectiva contribui para trabalhos na interseção entre gênero, crítica psicanalítica e folclore narrativo.
Sayaka Oki (Sat,) estudou esta questão.
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