As perdas de culturas causadas por patógenos fúngicos continuam sendo uma grande limitação à produção de alimentos global, reforçando a dependência da agricultura em controle de doenças baseado em fungicidas. O solo atua como um reservatório de longo prazo e um ponto quente-chave para a evolução e persistência de Fusarium resistente a antifúngicos. O uso intenso e prolongado de fungicidas de sítio único sobrepostos na agricultura seleciona fortemente tanto a resistência intrínseca quanto a adquirida nas populações de Fusarium no solo, contribuindo para grandes perdas de culturas, insegurança alimentar e preocupações com a One Health. Esta revisão sintetiza o conhecimento atual sobre (i) mecanismos de resistência de sítio-alvo (CYP51, β-tubulina, citocromo b, SDH, miosina-5) e de não-sítio-alvo (efeito de efluxo ABC/MFS, resistência a múltiplas drogas, regulação epigenética) no gênero Fusarium; (ii) a influência das práticas de manejo e das características e comportamento dos fungicidas no solo na reorganização das comunidades microbianas e na seleção de Fusarium resistente; (iii) as consequências para o manejo de doenças de plantas e as limitações de práticas como controle cultural e biológico; e (iv) estratégias inovadoras para o manejo de doenças de plantas, bem como o monitoramento e detecção de resistência a antifúngicos em solos. Esses aspectos mostram que os reservatórios de solo de Fusarium resistente a antifúngicos estão comprometendo o controle baseado em fungicidas e aumentando os riscos em vários setores, destacando a necessidade urgente de estratégias de manejo integrado de pragas sustentáveis, em múltiplas camadas, combinadas com monitoramento robusto de resistência, informado molecularmente.
Neves et al. (Qui,) estudaram essa questão.