Resumo O engajamento da África com o sistema internacional está passando por uma mudança significativa, à medida que estados e instituições regionais buscam cada vez mais autonomia estratégica dentro de uma ordem multipolar emergente. Este artigo examina como os atores africanos aproveitam a cooperação Sul–Sul e a integração regional para avançar na soberania de desenvolvimento e na diversificação geoestratégica, indo além das representações do continente como um receptor passivo de influência externa. Com base em análise qualitativa de documentos e políticas e um conjunto estruturado de estudos de caso ilustrativos — incluindo parcerias China–África, Índia–África, Turquia/Golfo–África e cooperação intra-africana através da Área de Livre Comércio Continental Africana (AfCFTA) e comunidades econômicas regionais — o estudo traça como a África está expandindo sua capacidade de negociação, coordenação institucional e diplomacia centrada no desenvolvimento. Atenção especial é dada à Tanzânia como um local ilustrativo onde o posicionamento de políticas orientadas para a soberania e o engajamento regional refletem estratégias continentais mais amplas. Os resultados sugerem que, embora a cooperação Sul–Sul possa ampliar as opções estratégicas da África e apoiar prioridades de desenvolvimento, também gera novos riscos de assimetria, fragmentação e substituição de dependência se não for gerida por meio de governança transparente e estruturas institucionais coordenadas. O artigo conclui que a crescente agência da África na governança global depende de uma coesão regional sustentada, capacidade de negociação e soberania do conhecimento, em vez de depender apenas da multipolaridade.
Salum Mussa Haruna (Mon,) estudou essa questão.
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