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Baseando-se na literatura da pós-política e pós-democracia, na literatura do neoliberalismo como modo de governança e no estudo da ênfase duradoura da cidade de Valência no desenvolvimento de mega-projetos de prestígio com arquitetura icônica como meio para alcançar a regeneração econômica e a revitalização urbana, este artigo avalia os efeitos sociais e econômicos dos mega-projetos urbanos e os analisa como condutos da globalização neoliberal e da despolitização da esfera pública. Por um lado, uma política urbana baseada no uso de mega-projetos representa uma mudança do welfare para o empreendedorismo que, além da evidente transformação urbana e re-imagem, resulta em um aumento da desigualdade social, na criação de empregos precários e em um subinvestimento em serviços sociais. Por outro lado, os mecanismos utilizados para implementar mega-projetos – incluindo tanto medidas de excepcionalidade quanto a privatização da gestão através da criação de órgãos de entrega semi-públicos – resultam em uma falta de transparência e controle democrático, o que por sua vez leva a formas mais autoritárias e privatizadas de tomada de decisão. Além disso, os mega-projetos – através de seu foco em expertise e tecnocracia e uma política e discurso populistas construídos em torno deles – desempenham um papel crucial na erosão da democracia e no estabelecimento de uma política consensual onde a luta ideológica não existe.
Amparo Tarazona Vento (Sex,) estudou esta questão.
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