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O testemunha tornou-se uma figura chave do nosso tempo, seja como o sobrevivente que testemunha o que viveu, seja como a terceira parte que conta o que viu ou ouviu. Testemunhar publicamente sobre sofrimento e injustiça é precisamente o que distingue a primeira (Cruz Vermelha Internacional) e a segunda (Médicos Sem Fronteiras, Médicos do Mundo) eras do humanitarismo. Baseada em uma investigação etimológica da palavra em grego e latim e em uma investigação etnográfica sobre a produção de documentos sobre o conflito israelo-palestino, esta análise da política do testemunho mostra como os agentes humanitários definem a maneira legítima de contar ao mundo a “verdade das vítimas”. Em particular, a crescente presença de psiquiatras e psicólogos no campo introduz uma nova visão na qual o trauma aparece menos como uma categoria clínica e mais como um argumento político. Esse processo de subjetivação dos palestinos, mas também dos israelenses como vítimas, que institui sua experiência e condição como compartilhadas, deixa de lado tanto as histórias individuais quanto as colectivas dos sujeitos.
Didier Fassin (Qui,) estudou essa questão.