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Neste artigo, reconstruo as condições filosóficas para o surgimento da noção de contra-condução dentro do quadro do estudo da governamentalidade de Michel Foucault, e exploro as razões para seu desaparecimento após 1978. Em particular, argumento que o conceito de condução se torna crucial para Foucault a fim de redefinir as relações de poder governamentais como formas específicas de conduzir a conduta dos indivíduos: é inicialmente dentro desse contexto que, em Segurança, Território, População, ele repensa o problema da resistência em termos de contra-condução. No entanto, poucos meses depois, em O que é Crítica?, Foucault (implicitamente) substitui a noção de contra-condução pela de atitude crítica, definida como a forma particular que a contra-condução assume nos tempos modernos. Essa noção permite que ele destaque o papel desempenhado pela vontade (de ser ou não ser governado assim) na resistência às estratégias governamentais. Mas, já que a noção de contra-condução é conceitualmente mais ampla do que a de atitude crítica, sugiro, por fim, que poderia valer a pena reativá-la como uma “categoria histórica que, em várias formas e com objetivos diversos, permeia toda a história ocidental.”
Daniele Lorenzini (Ter,) estudou esta questão.